Acostumada a carros de rua, a McLaren construiu cem F1s (28 com acabamento de corrida) e mais de 2100 Mercedes-Benz SLR McLarens (incluindo as variações 722, Roadster e Stirling Moss). O expatriado Americano Antony Sheriff, diretor-gerente da divisão automotiva da McLaren, orgulhosamente guiou nosso passeio pelas áreas não restritas do Centro de Tecnologia da McLaren, uma instalação de engenharia no nível da NASA em Woking, Inglaterra, onde os bólidos MP4-24 da Fórmula 1 e os SLR de passeio são fabricados e onde o trabalho com o MP4-12C começou em 2006.
Para levantar os 400 milhões de dólares necessários para uma mova fábrica, para garantir o ferramental de produção e para completar o desenvolvimento do MP4-12C, o braço automotivo foi recentemente desmembrado do Grupo McLaren que o gerou. As cinco divisões restantes – Corridas, Marketing, Sistemas Eletrônicos, Tecnologias Aplicadas, e Absolut Taste (um empreendimento de bufê) – são de posse da Daimler (40%), uma holding do Bahrein (30%), o investidor Mansour Ojjeh (15%) e o presidente do Grupo McLaren, Ron Dennis (15%).
Embora Gordon Murray, o brilhante engenheiro que projetou diversos sucessos na Fórmula 1 e o F1 de rua, tenha deixado a McLaren antes do trabalho no MP4-12C começar pra valer, seus padrões exigentes de peso e eficiência aerodinâmica são claramente evidentes neste projeto. A potência é fornecida por um motor V8 3.8 biturbo com intercooler e comando duplo de válvulas entranhado no centro do carro atrás de uma espaçosa cabine de dois lugares.
Muitos detalhes ainda são segredo, mas Sheriff revelou que o motor chegará a 8.500 rpm e a potência máxima será de cerca de 608 cv, com 80% dos 60,8 mkgf do pico de torque disponíveis aos 2.000 rpm. Há um sistema de cárter seco, um virabrequim de 180 graus, tempo de abertura variável de válvulas, mas a injeção direta de combustível ficou pelo caminho. A revista britânica Autocar recentemente especulou que esse motor pode ser um Mercedes V8 modificado pela firma alemã de engenharia Mahle.
Uma caixa de câmbio de sete marchas e embreagem dupla entrega a potência às rodas. Getrag, Oerlikon Graziano e Ricardo encabeçam a lista dos potenciais parceiros de desenvolvimento, mas Sheriff se recusou a identificar o especialista em transmissão que será responsável por fabricar o câmbio do MP4-12C.
A McLaren foi pioneira no uso de compostos de fibra de carbono em pontos estruturais chave em seus monocoques de Fórmula 1, em 1981, e em seu carro F1 de rua, em 1993, então essa experiência naturalmente se reflete no MP4-12C. A corpo central é um molde em estrutura oca de 78 kg feito com processos exclusivos de transferência de resina. As estruturas suplementares de alumínio nas duas extremidades do carro suportam o chassi e os sistemas de propulsão. As portas em estilo borboleta são outro detalhe herdado do F1. Elas devem fornecer acesso fácil para a cabine de dois lugares e chamar a atenção que os donos de carros exóticos esperam.
Para manter o peso final abaixo dos 1400 kg esperados, o MP4-12C tem uma mistura de alumínio e fibra de vidro na carroceria, duas vigas reforçadas de magnésio, estruturas dos bancos de magnésio e um sistema de condicionamento de ar feito sob medida. Os radiadores centrais são alimentados por enormes aberturas laterais equipadas com aletas. As colunas frontais são reforçadas com tubos de aço de alta resistência. Para economizar o peso e complexidade das barras antirrolamento, o movimento da carroceria (inclinação e rolagem) é verificado pelos amortecedores controlados eletronicamente.
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