O efeito Príncipe Charles
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Um problema que vem afetando alguns colegas é o chamado “efeito príncipe Charles”.
O príncipe Charles, como todo mundo sabe, um dia vai ser rei. Nasceu para ser rei, foi preparado para ser rei, e todo mundo fica o tempo todo dizendo que ele vai ser rei. É só urna questão de paciência.
Quando o príncipe Charles era jovem, alguém disse que a mãe dele, sua majestade a rainha, renunciaria quando o príncipe Charles fizesse 25 anos. Ele fez e ela ficou na dela, na moita. Digo, no trono. A promoção a rei foi transferida para quando o príncipe Charles fizesse trinta anos, depois quarenta, depois cinqüenta… E lá está o príncipe Charles, sexagenário, viúvo e casado pela segunda vez, esperando a mãe renunciar para que ele, finalmente, torne-se rei.
Todo dia ele acorda e alguém diz: “Não se preocupe, caro Charles, é só uma questão de tempo”. Essa é também a frase que meus colegas andam ouvindo nas empresas em que trabalham: tudo é apenas uma questão de tempo. Eles estão preparados para uma promoção, a empresa jura que serão promovidos, mas, na hora H, sempre acontece alguma coisa e a promoção fica para depois.
A empresa diz que eles, como o príncipe Charles, precisam ter apenas mais um pouco de paciência. Não sei o que o príncipe Charles pensa de tudo isso, mas meus colegas que estão mofando há anos no mesmo cargo ficam se perguntando se vale a pena tomar uma atitude drástica. Do tipo: “Ou vocês se decidem, ou vou embora”.
O pior, no caso de meus colegas, é que até agora só receberam promessas. O príncipe Charles, além de promessas, tem um monte de mordomias e uma vida cheia de regalias imperiais. Quer dizer, o príncipe Charles pode até esperar a vida inteira, porque não vai fazer muita diferença.
Mas, para quem já percebeu que está marcando passo na empresa, a melhor saída… é a saída.
Max Gehringer

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